sábado, fevereiro 12, 2005

O Aviador.


Martin Scorsese em toda sua, longa, carreira nunca recebeu um Oscar sequer. Inacreditável ver como ele foi injustiçado, perdendo para filmes, médiocres, como "Rocky-Um Lutador" e "Gente como a Gente" (isso só para citar alguns). "O Aviador" parece a súplica, de joelhos, de Scorsese para finalmente levar a estatueta dourada para a casa. Correm boatos de que ele nunca se conformou de não ter o careca dourado em casa e saiu amargurado da última premição em que concorreu, quando viu seu mediano "Gangues de NY" não levar nenhuma das 11 indicações pelas quais concorria. Agora, com seu épico sobre a vida do bilionário Howard Hughes arrebatando 11 indicações, parece que finalmente Scorsese leva. Ou não?

A cinebiografia de Howard Hughes (interpretado por Leonardo Di Caprio) começa com ele ainda jovem, nas produções de "Anjos do Inferno", o primeiro de uma série de filmes ambiciosos dirigidos por ele. Enquanto acompanhamos sua obessão por criar aviões cada vez mais rápidos, vemos também suas conquistas amorosas (uma extensa fila que inclui Katherine Hepburn e Ava Gardner) e sua transtorno-obessivo-compulsivo por limpeza.

É de se admirar a evolução de atuação que tem Leonardo Di Caprio em relação a "Gangues de NY". Enquanto que na película anterior de Scorsese ele parece um jovem emburrado, aqui ele realmente personifica Hughes, dando-lhe personalidade e carregando o filme inteiro nas costas. Mas quem surpreende mesmo é Catte Blanchett numa caracterização assustadoramente perfeita de Kate Hepburne. O trejeitos, o jeito de andar e de olhar, está tudo perfeito. E há ótimos coadjuvantes como John C. Reilly; Allec Baldwin (este sim, ótimo); Alan Alda e vários outros bons atores.



A direção de Scorsese é segura, porém perde um pouco de ritmo pelo fim, quando entra todo aquele blábláblá de tribunal (que eu, pessoalmente, não gosto nem um pouco). Scorsese as vezes tenta ensaiar passos maiores, tentando mostrar um estilo de vida da época de ouro de Hollywood, mas acaba ficando apenas na intenção mesmo. A obsessão de Hughes chega a causar momentos de tensão quase que insuportáveis, o que acaba favorecendo pro lado de Scorsese que soube comandar bem tais cenas sem cair no exagero ou no cafona. Há algumas cenas que são coisas de Mestre (com maiúsculo mesmo); Hughes tocando em Hepburn e corta para ele deslizando a mão no avião, a cena em que ele diz "I am Howard Hughes, the aviator" (que traz, por sinal, um slow-motion totalmente desnecessário). São os pequenos toques de Scorsese que tornam esse filme grandioso.

Apesar disso, não dá pra deixar de dizer que o filme não é totalmente fiel a vida de Hughes. Sabe-se que o bilionário era homossexual ferrenho (na falta de outro termo melhor), que saia vestido de mulher a noite e que mantinha contatos com cafetões que lhes arranjavam garotos. Não seria idiotiçe dizer que o roteiro de John Logan esconde isso em pró de Hughes, tornando-o quase que um herói americano convencional, daqueles que superam todas as barreiras e obstáculos possíveis não fosse pelo TOC de nosso Aviador. Aliás, chega a fazer falta o último período da vida de Hughes, onde ele ficou encasulado em um quarto até esperar a morte, já que o filme termina na hora do vôo do Hércules, o ambicioso avião "gigante" de Hughes.
Faz falta sim, mas não tira o brilho desta bela obra do mestre Scorsese.



(The Aviator, Martin Scorsese, EUA, 2004)

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Restropectiva 2004: Os Piores

Pode-se dizer que o ano de 2004 foi um ano muito rico para o cinema. Nas salas nacionais passaram lindíssimos filmes, de diversos talentosos diretores. Tivemos as voltas aguardadas de Tarantino, Bertolucci, Von Trier, etc. Tivemos surpresas agradáveis. Tivemos filmes memoráveis. Mas em 2004 foi também, e infelizmente o ano dos filmes ruins, o ano com alguns dos piores filmes do mundo, provavelmente. Dito isso, hoje, vamos ao que na minha opinião foi o mais nojento e repugnante do ano que passou.

RESTROPECTIVA 2004 - PARTE 1 - O PIOR DE 2004

MENÇÕES (DES)HONROSAS...


20. Casa da Areia e Névoa (Vadim Perelman)

19. Como Se Fosse a Primeira Vez (Peter Segal)

18. Mulheres Perfeitas (Frank Oz)

17. Exorcista: O Início (Renny Harlin)

16. Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo (Peter Weir)

15. A Janela Secreta (David Koepp)

14. A Vila (M. Night Shyamalan)

13. Em Nome de Deus (Peter Mullan)

12. Monster - Desejo Assassino (Patty Jenkins)

11. Encantadora de Baleias (Niki Caro)


E AGORA... O TOP 10:


10. Bridget Jones: No Limite da Razão (Beeban Kidron)



Mais uma comédia romântica convencional, com a mesma história de quero-mas-não-te-quero-mas-vou-te-querer, cheia de mensagens moralistas implícitas, música pop de cinco em cinco minutos, protagonista irritante (apesar da sempre boa atuação da Renne) e altamente banal e sem graça. Parece querer a todo custo ter o mesmo estilo de comédia dos irmãos Farrelly, mas esse não tem nem a metade da inventividade e acidez dos filmes da dupla.

09. Todo Mundo Em Pânico 3 (David Zucker)



Mais uma comédia do mesmo nível. Eu já não gostava dos dois primeiros, sempre achei um tanto quanto sem graça satirizar filmes que já eram umas sátiras. Essa continuação consegue ser pior que os outros dois filmes. Agora, tudo que já era detestável, escatológico, sem graça, asqueroso, babaca, nojento e bobo duplicou infinitas vezes. Não há o que gostar, não há de que rir. É um humor fácil e feito só para agradar quem está atento a cultura pop atual.

08. Starsky & Hutch - Justiça em Dobro (Todd Phillips)



Desperdiçar um material já feito anteriormente é de uma incompetência criativa que resulta imperdoável. O filme de Todd Phillips, não é mais que mais uma previsível e intolerável comédia que, em suas ânsias por fazer rir, acaba se tornando uma experiência extremamente sofrida para o espectador: mostra uma infinita quantidade de piadas péssimas, situações constrangedoras, personagens irritantes (principalmente a mãe-policial de Starsky e o personagem de Snoop Dogg) e uma história inexistente, desnecessariamente comprida; tudo isso pra evidenciar a incapacidade humorística do filme.

07. Efeito Borboleta (Eric Bress & J. Mackye Gruber)



Se ainda fosse um curta metragem e acabasse na primeira reviravolta, provavelmente seria um dos melhores filmes do ano. Além de acabar com um final bem amargo e misterioso, Ashton Kutcher ia me parecer um bom ator. Mas infelizmente o filme tem duas horas, infelizmente Aston Kutcher não atua bem e infelizmente o filme é bem ruim. Tudo começa a ficar ruim quando os bons se tornam maus e os maus se tornam bons. Um vai-e-vem besta, para ilustrar a lição bonitinha, mas ordinária "qualquer coisa que façamos hoje pode ter conseqüências catastróficas no futuro". E Ashton Kutcher ri, Ashton Kutcher chora; Ashton Kutcher fica de pé, Ashton Kutcher fica perneta; vira presidiário, etc. Versátil.

06. O Sorriso de Mona Lisa (Mike Newell)



Não se decide se quer ser um filme-cult sobre Arte ou mais um teen movie como um American Pie de Época, mostrando as iniciações amorosas das garotas; e o triste é que não satisfaz em nenhum dos (sub) gêneros. Se no primeiro, não consegue sequer a esboçar suas teorias sobre a História da Arte; no segundo os diálogos são tão mortos, que nem parece que as adolescentes querem realmente amar, ou até viver. E é tudo tão torturantemente previsível, didático, vazio e datado que fica realmente difícil suportar o filme até o fim.

05. Alien vs. Predador (Paul W. S. Anderson)



Hahahaha. Se esse filme não fosse tão engraçado quanto é, provavelmente ele estaria bem mais abaixo. Paul Anderson é definitivamente um sujeito engraçado; babaca, mas engraçado, algo que me remete ao Ed Wood. Uma pena que o filme claramente não foi feito pra rir; é absurdo como Anderson investe num romance entre o inusitado herói (!) Predador e a mocinha com a maior seriedade do mundo, afinal o que vale não é a aparência; comovente no mínimo.

04. Olga (Jayme Monjardim)



Talvez até seja bem intencionado e feito com boa vontade. Mas não podemos perdoar uma biografia sofrível como essa. As incongruências do roteiro e das soluções narrativas, os diálogos que mais parecem recitados do que qualquer coisa, os closes excessivos e as atuações e personagens exagerados e caricatos remete-nos a estar a assistir uma novela muito ruim.

03. A Paixão de Cristo (Mel Gibson)



Não há por parte da narrativa uma intenção de situar o espectador não-religioso, sendo assim parece que Mel Gibson quer separar os que “podem ver o filme” dos que “não podem ver o filme”. O filme é tão doentiamente obcecado em indicar (de modo nada sutil) a culpa aos mortais (pelo quê, eu não sei), que fica bem complicado tirar alguma mensagem positiva que o filme supostamente tenta transmitir. A filmagem também não ajuda em nada, a utilização é tão absurda de slow-motions que fica difícil de dar alguma credibilidade ao filme. Soa meio como uma paródia, e se assumisse como tal, talvez as coisas poderiam ter sido bem melhores.

02. Van Helsing - O Caçador de Monstros (Stephen Sommers)



O problema principal desse aí é a total negligência do diretor. Há tanta ação no filme que Sommers nunca introduz (tão pouco desenvolve) seus personagens adequadamente. Nem se preocupa em estabelecer os ambientes e situações suficientes para ajudar o sentimento compassivo para o espectador. E se pelo menos, as cenas de ação funcionassem a coisa ficaria mais digestiva, mas nem isso, esse filme-b de quinta categoria consegue.




01. Ken Park (Larry Clark & Edward Lachman)



Podia ser uma crítica contundente a juventude e a sociedade americana, podia ter um papel social e alertar sobre os problemas atuais, podia ser algo muito mais enriquecedor e interessante para o espectador. Mas não há de se esperar essas coisas num filme de Larry Clark, e esse como em qualquer filme de Larry Clark é repleto de pessimismo (não há uma gota sequer de humanismo), é seco, gratuito e nada sutil. A utilização do sexo explícito, as violações aos padrões morais e o choque barato são usados única e exclusivamente para criar polêmica e promover o filme. Espero ansiosamente que o chão engula Larry Clark.

PIOR DIRETOR: Larry Clark, Ken Park
PIOR ROTEIRO: Olga
PIOR ATOR: Orlando Bloom, Tróia
PIOR ATRIZ: Emmy Rossum, O Dia Depois de Amanhã

quinta-feira, outubro 14, 2004

A Magia do Cinema



"Rever "Guerra nas Estrelas" passado vinte anos é revisitar um lugar em nossa mémoria. O épico espacial de George Lucas estabeleceu colônias em nossa imaginação, e fica difícil olhar para trás e vê-lo somente como um filme, pois é hoje, sem dúvida, parte das nossas lembranças. Ele é tão bobo quanto um conto infatil, tão supercial quanto os seriados de sábado á tarde, tão batido quanto o milho de Arkansas em agosto - e uma obra-prima. Aqueles que analisam sua filosofia o fazem desta forma e, quero crer, com um sorriso em mente. Que a força esteja com eles."

O melhor resumo que eu já vi sobre a saga intergaláctica de George Lucas.
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Talvez tão, ou igualmente, necessário como o livro de François Truffaut numa coleção de livros sobre cinema seja este do crítico Roger Ebert. Delicioso e bem escrito, uma maravilhosa viagem por 100 filmes. Não os melhores, mas os mais importantes.

terça-feira, outubro 12, 2004

Christopher Reeve


quinta-feira, outubro 07, 2004

É AMANHÃ!!!


!!!

Trilogia Star Wars - Guerra nas Estrelas.




"A muito tempo atrás numa galáxia muito, muito distante..."


Teria forma mais clichê de começar um texto sobre "Star Wars" a não ser assim? Provavelmente não, mas ainda é o jeito mais legal (IMO).


Em 1977 o mundo do cinema estava sofrendo uma revolução. Já havíamos presenciado dois filmes sobre a família mafiosa mais famosa do mundo, Kubrick já havia ido ao espaço, Spielberg já havia ido as estradas, ao mar e em pouco tempo visitaria os céus. Foi nesse meio tempo, em 1977, que um cineasta que havia dirigido um filme sobre adolescente e uma ficção-científica com toques Orwellianos lançava seu mais ambioso projeto: "Star Wars".


Em uma galáxia muito distante, o impiedoso imperador Darth Vader está preste a descobrir os planos da aliança rebel para destruir o Império Galáctico. A Princesa Léia (Carrie Fisher) envia dois andróides, R2-D2 e C-3PO, para o desértico planeta de Tatooine na esperança de poder contatar o velho jedi Obi Wan Kenobi (Alec Guinness) e ter alguma esperança. Quando os andróides chegam ao planeta, são comprados pelo jovem Luke Skywalker (Mark Hammil) que, juntamente com os robôs, parte na busca do velho Kenobi. Depois de achar o jedi, eles partem numa missão para encontrar Léia juntamente com o pirata espacial Han Solo (Harrison Ford) e seu companheiro, o Wookie Chewbacca.



"Star Wars" reúne alguns dos elementos narrativos mais típicos, mas não menos cativamentes. Temos ali o jovem inocente de ideais fortes (Luke), o velho sábio com poderes mágicos (Obi Wan), o amigo canalha (Han Solo), a mulher atrevida (Léia), o vilão inescrupuloso (Vader) e os alívios cômicos (C-3PO e R2-D2). Quando produzia o filme, a real inspiração de Lucas foi um antigo filme de Akira Kurosawa chamado "A Fortaleza Escondida". Nele, dois trabalhadores partem numa jornada juntamente com um general e uma princesa para um grande castelo. A história é contada sobre a ótica dos trabalhadores, que servem também de alívio cômico. Não é estranho dizer que Lucas realizou o filme sob os olhos dos dois robôs, que, como no filme de Kurosawa, servem alívio cômico. Além disso Lucas buscou grande inspiração na mitologia e em velhos seriados dos anos 30 e 40 para conseguir escrever sua epopéia espacial. "Star Wars", assim como "Indiana Jones", é uma homenagem matinê nos velhos tempos, só que passada no espaço.


Ninguém esperava nada. Chegou de mansinho, com alguns trailers e cartazes e logo se tornou um verdadeiro rebuliço. Milhares de pessoas dobravam esquinas para conferir um dos maiores filmes já feitos.


Até sua chegada aos cinemas ninguém botava real fé no projeto, apenas um chapa de Lucas chamado Cevem Spielberg. Spielberg disse para Lucas que ele lançasse o filme, pois ele iria ser um grande sucesso. E foi. "Star Wars" se tornou o filme mais visto no planeta até 1998, quando um certo navio chegou para destroar nossos amigos espaciais.



A produção de "Star Wars" foi marcada por uma série de problemas. A Fox pressionava Lucas mais e mais para que lançasse seu filme no prazo (que do natal de 1976 foi para o verão americano de 1977), a produção não se entendia (muito reclamavam e achavam que faziam um filme idiota e infantil), o orçamento estava nos limites, ninguém botava fé no trio de protagonistas, David Prowse (dono do corpo de Darth Vader) não admitia que Lucas trocasse sua voz pela de James Earl Jones (no ínicio Lucas cogitou Orson Welles!), a mídia e próprio Lucas (que acabou parando num hospital pelo elevado nível de stress), dava o filme como um fracasso certo.


Em maio, mais precisamente no dia 25, tudo mudaria. "Star Wars" se tornou um fenômeno cultural de proporções avassaladoras. Não havia sido feito muito alarde sobre um filme que se passa no espaço e trazia, entre outras coisas bizarras, um cachorro gigante. Mas os fãs do gênero entraram em alvoroço. O filme, lançado em pouco mais de 30 salas, foi se expandindo e em todo lugar que era exibido era sucesso certo.


Passado certo tempo, a Fox começou a negociação para que a seqüência fosse realizada. Tudo aprovado, Lucas consegue financiamento e começa a trabalhar nos primeiros esboços do roteiro. Quase entrando em um colapso nervoso, Lucas decide não irá dirigir a segunda parte e convida Irvin Keshner para a direção. De imediato o diretor recusa, mas seu agente o obriga a assumir a direção da seqüência que ganharia a alcunha de melhor filme da saga.


Kershner era conhecido por dirigir filmes que dava ênfase aos personagens, a história, e era isso o que Lucas estava procurando, e havia encontrado. O roteiro, com história de Lucas e finalização de Lawrence Kasdan e Leigh Brackett, mostra (como o título evidentemente diz) o contra ataque do Império e quase mutilação das forças rebeldes. No meio disso, Luke inicia seu treinamento com o mestre Yoda para se tornar um mestre Jedi e assim poder derrotar o temível Darth Vader. Enquanto que Leia, Han Solo, Chewbacca e C-3PO voam para a distante cidade das nuvens para pedir ajuda a um velho amigo de Han, Lando Calrissian (que acaba por não se mostrar "tão" amigo assim).



Apesar de dar grande destaque aos personagens e suas relações, "O Império Contra-Ataca" também tem grande cenas de ação, tais como o duelo entre Luke e Vader, o campo de asteróides e a inesquecível batalha no gelado planeta de Hoth (que, em minha opinião, é a melhor de toda série). A piadinhas sarcásticas de Han deram lugar a um clima mais sério, de tragédia e conflitos, e o filme termina sem uma resolução, com um certo gosto amargo e com um fiapo de esperança (algo parecido com a segunda parte da saga de "Senhor dos Anéis", sem começo nem fim.).



Na produção do filme, Lucas novamente se envolve em problemas fiscais com os empréstimos, coisa que ameaça seriamente o andamento do projeto. A Lucasfilm quase entra na falência. Lucas acaba por fazer um contrato especial com o banco e, assim, poder levar as filmagens adiante. E como desgraça pouca é bobagem, a associação de diretores não permite que Lucas não ponha os créditos de sua equipe logo no começo (o que faria com que o famoso letreiro tivesse de ser retirado). Mais uma vez Lucas bate o pé, sai da associação de diretores e termina o filme de seu jeito. E mais problemas vem pela frente; a produção teve de ir para a Noruega filmar cenas no gelo, o que gerou mais custos e maiores dificuldades na hora da finalização dos efeitos. Em alguma cenas a produção do filme, após ter levantando uma montanha de gelo, teve de ficar dentro do hotel com os equipamentos e apenas Mark Hammil lá fora, interpretado.


Depois de tudo estar pronto e finalizado, "O Império Contra-Ataca" é lançado em maio de 1980 e se torna um sucesso instantâneo.


Lucas paga suas dívidas e parte para a terceira parte de sua saga. Originalmente, "O Retorno de Jedi" se chamaria "A Vingança de Jedi", mas poucos dias antes do lançamento, Lucas voltaria atrás e colocaria o título que hoje todos conhecemos devido a um pequeno fator: um Jedi não se vinga.


Ao sair do sindicado dos diretores Lucas, que queria seu amigo Steven Spielberg na direção do último episódio, não pode realizar seu desejo devido a pequenos problemas com a organização e terminou por contratar o gaulês Richard Marquand para a direção. Marquand não tinha experiência com efeitos e muito menos com bons atores ou grandes produções, o que acabou por refletir numa queda de qualidade no produto final. Não é a toa que este é considerado o mais fraco de todos os episódios da saga interestelar.



Logo após completar seu treinamento com Yoda, Luke retorna a base rebelde para que, com o auxilio de Han Solo e da Princesa Leia, possam de uma vez por todas destruir o império galáctico. Com roteiro de Lawrence Kasdan e o próprio George Lucas, "O Retorno de Jedi" opta por um tom mais alegre, o que não agradou a todos os fãs, e introduz os "mala sem alça" Ewoks, seres que vivem na lua de Endor e auxiliam os rebeldes na luta contra o império.



Com o término de sua saga, Lucas ainda não havia se contentado.


Após várias edições em vídeo, ele decide, em 1997, lançar a edição especial de "Star Wars", agora batizados de "Episodio IV-Uma Nova Esperança", "Episodio V-O Império Contra-Ataca" e "Episodio VI-O Retorno de Jedi" nos cinemas, em novas versões totalmente remasterizadas, redigitalizados e com novas cenas.



Uma delas acabou por gerar muita polêmica; a qual Han Solo e Greedo conversam na cantina de Alderaan. No original, Solo atiram em Greedo sem o menor aviso, reforçando sua personalidade sacana. Na nova edição, Greedo atira e Solo revida, mudando a personalidade do pirata espacial. O fãs xiaram e Lucas não estava nem ai. Ganância é isso ai.


Agora, depois de muito tempo na espera, finalmente somos presenteados com o box da trilogia Star Wars contendo os três filmes mais um disquinhos só de extras. O trabalho de redigitalização e remasterização é tecnicamente impecável, de longe uma dos melhores trabalhos que já vi. Mas é o disquinho de extras que merece um parágrafo à parte.





Recheado com 4 documentários, vários spots e trailers e uma prévia do episódio III, o disquinho é excelente. Os documentários "Império dos Sonhos", extremamente detalhado e com 2hrs e 30 min é um universo à parte para os fãs, que com certeza irão delirar com detalhes e testes de cenas inéditos. Já o doc. "O Nascimento do Sabre de Luz" mostra a criação da arma mais famosa do cinema, desde seu estilo até o inconfundível som. O doc. "Os Personagens de Star Wars" é um tanto quanto vago e mostra a criação dos principais personagem. "O legado de Star Wars" mostra influência que a trilogia teve sobre os novos diretores (entre eles Peter Jackson e Ridley Scott).

Nesses documentários, principalmente em "O Império dos Sonhos", muita coisa que aconteceu é omitida. Por exemplo, os problemas de Carrie Fisher com as drogas e seu relacionamento tempestuoso com Harrison Ford.

E, apesar de Lucas ter trocado o velhinho Sebastian Shaw por Hayden Christensen no final de "O Retorno de Jedi" e inserido algumas novas tomadas de planetas, vale a pena ter a coleção em casa.


"May the force be with you"


Star Wars: Episódio 4 - Uma Nova Esperança
(Star Wars: Episode 4 - A New Hope, George Lucas, EUA, 1977)
O Melhor: Criou uma nova forma de se fazer cinema na velha Hollywood.
O Pior: A ganância de George Lucas


Star Wars: Episódio 5 - O Império Contra-Ataca
(Star Wars: Episode 5 - The Empire Strikes Back, Irvin Kershner, EUA, 1980)
O Melhor: Mostrou (juntamente com "O Poderoso Chefão Parte II") que a seqüência pode ser melhor. E a batalha de Hoth, é claro.
O Pior: Ahn... nada?


Star Wars: Episódio 6 - O Retorno de Jedi
O Melhor:A batalha final entre Darth Vader, o Imperador e Luke, além da batalha na estrela da morte.
O Pior: A ganância de George Lucas. Ewoks!


Star Wars: Trilogia
O Melhor: Os documentários e prévia do episódio III.
O Pior:...?

domingo, setembro 12, 2004

"A MOSCA DA CABEÇA BRANCA"


“A Mosca da Cabeça Branca” é o filme do qual eu falo hoje. O filme, de 1958 foi um dos primeiros grandes filmes do maior nome do terror no cinema, que ficaria bem famoso mesmo nos anos 60. O filme tem seus grandes momentos, em especial na parte final. Apesar de não se comparar aos grandes filmes de terror da época ainda assim é bem interessante de se ver. O principal problema do filme é que a história demora muita para começar.
O início mostra uma mulher ligando para seu cunhado (Vicent Price) dizendo que acabou de matar o marido. A primeira meia hora mostra apenas os acontecimentos após o assassinato, com a tentativa de descobrir o motivo e porque ela parece tão feliz com a morte do marido que amava tanto. Então começa o flashback. Mostra sua vida feliz numa grande casa com o marido cientista e o filho pequeno. O marido junto com o irmão são cientistas donos de uma fábrica, chamada Delambre, o nome da família. Seu marido lhe mostra uma nova invenção: Uma máquina de teletransporte que poderá revolucionar o mundo. Após saber que a primeira experiência com seres vivos (o gato da família) não deu certo, sua mulher lhe implora para que restrinja os experimentos a objetos. Até aí são mais meia hora e só na parte final, que a trama conhecida por todos vem à tona: Ele ao tentar se auto-transportar não viu uma mosca entrar na cabine e pegou algumas características da mosca, enquanto a mosca pegou alguma características dele, ficando com a tal cabeça branca. A solução seria ele e a mosca voltarem para a cabine e quem sabe voltar tudo ao normal. O problema é que não é muito fácil achar uma mosca em especial em um terreno tão grande. O filme se desenvolve muito bem e é bem melhor que a refilmagem de David Cronemberg, “A Mosca” de 86. Ao contrário deste, tudo é desenvolvido com a maior sutileza, sem nenhuma cena explícita. A cena final é fantástica, lembrando o final de um filme de Jack Arnold, “O Incrível Homem que Enconlheu”.

As atuações do filme não são nada perto de excelente, mas ninguém da vexame. Vicent Price viria a se tornar um ícone dos filmes de terror e aqui o melhor ator canastrão tem uma boa atuação, como David Hedison e Patricia Owens interpretando o canal principal. Kurt Newmann, em seu último trabalo, infelizmente teve falhas na direção, como ao não conseguir dar ritmo ao filme e algumas cenas mais dramáticas não bem realizadas (culpa também dos atores, único grande deslize deles). Mas no eletrizante final, acaba que da uma sensação se satisfação muito boa. Parte técnica, em especial a maquiagem e os efeitos especiais são ótimos apesar de pouco utilizados, o que é uma qualidade, já que não fica nada perto do apelativo, como era comum nos filmes de terror da época. É interessante notar, aliás que como esse aspecto trash é um dos mais “interessantes” para se rever dos filmes de terror dos anos 50 (como muito bem notou o fantástico filme “O Filme Mais Idiota do Mundo” – que não tem nada de idiota, tirando o título), muitos fãs atuais do gênero relegam esse filme a um segundo plano, o que não deveria acontecer.
Um filme que definitivamente deve ser visto pelos fãs do cinema e em especial do gênero terror. Mesmo se for apenas para comparar com as e as fraquíssimas continuações, “Return of the Fly” de 59, que mais parece refilmagem e “Curse of the Fly” (que não tem nada a ver com as moscas e sim sobre os descendentes de Delambre e as tentativas de teletransporte) e principalmente a fraca refilmagem de David Cronemberg, bastante nojenta e apelativa sem necessidade.



"A Mosca da Cabeça Branca" / "The Fly" (1958, EUA) de Kurt Newmann

domingo, setembro 05, 2004

Contatos Imediatos do Terceiro Grau


Estranhos fenômenos começam a aconteçer. Aviões desaperecidos repentinamente apareçem, navios naufragados são vistos no deserto e estranhas e fortes luzes são comentadas em todos os lugares. Roy Neary (Richard Dreyfuss) é mais uma dessas "vítimas". Ao procurar uma estrada, o carro de Neary para e começa a tremer, uma luz chegante cobre seu carro e uma imensa bola preta aparece no céu. E isso é só o começo de uma trama que envolve um estudioso francês (François Truffaut), o excército americano e o Pico do Diabo.

Recém-saído do ultra-sucesso "Tubarão", Steven Spielberg queria mexer com um tema que o fascinava desde criança: os extraterrestres. E não seria a única vez, ele voltaria ao tema, com uma história mais familiar, com o clássico "ET- O Extraterrestre". Além, é claro, de inovar novamente com belos efeitos visuais (que invocam bastante o uso de luzes), que tem seu ápice na sequência final, quando a nave-mãe chega na base militar e famosa musiquinha é tocada pela primeira vez.

E depois de mais um gigantesco sucesso, Spielberg não estava satisfeito com o resultado final e voltou com o elenco para rodar cenas adicionais e re-lançar o filme nos cinemas com cenas inéditas e uma nova duração. Ele faria a mesma coisa com seu outro sobre aquele et estranho que se hospeda na casa da pequenina Drew Barrymore.

A direção de Spielberg é ótima, ele cria cenas ótima, tomadas geniais e, pelo menos uma, que deve ter servido de inspiração para M. Night Shyamalan em "Sinais". É quando Melinda Dillon (ótima) e seu filho estão em sua casa e é sentida a prensença dos et's atráves de passos no andar de cima.



Além da já falada Dillon, Dreyfuss prova que só funciona sob a batuta de Spielby e entrega uma atuação cativante e engraçada. E a destacar o famoso diretor francês François Truffaut em seu primeiro papel do cinema americano, Truffaut exala empolgação na pele do professor Lacombe. O resto do elenco tem pouco a fazer, e cumpre o papel, e não tem maiores destaques.

Indo além do simples "cinemão", "Contatos Imediatos..." é um filme feito com amor, paixão, e, acima de tudo, competência. Provavelmente uma das melhores coisas que o diretor já fez, o filme é digno de se entrar no hall dos grandes do cinemão americano.


(Close Encounters of the Third Kind, Steven Spielberg, EUA, 77)

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